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O Poder de uma Régua

O Poder de uma Régua

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Há muitas maneiras de demonstrar amor. Algumas pessoas o fazem com comida e presentes. porém uma das maneiras mais importantes é usar o tempo para mostrar interesse nas necessidades, sentimentos e pensamentos das outras pessoas. Em nossa sociedade tão ocupada, “tempo para olhar no olho” e “tempo para ouvir” são uma raridade.

Calcula-se que “não estamos presentes” em cerca de 45 por cento das nossas horas de vigília, especialmente quando estamos sobrecarregados, exaustos e estressados. Quando é preciso, o cérebro faz suas próprias pausas e desliga temporariamente, gostemos ou não. Durante essas pausas, ficamos desatentos e sem reação - “no espaço”.

As crianças são extraordinariamente sintonizadas com a conexão ou desconexão de seus pais. Elas se sentem rejeitadas ou abandonadas se os pais estão “desligados” por muito tempo. Para ajudar os pais a estarem mais “presentes” e antenados com as necessidades e sentimentos dos filhos, criei uma pequena régua com dois lados. Um lado mostra graus variáveis de rostos felizes e crianças sintonizadas com a felicidade de seus pais numa escala de 1 a 10. O outro lado mostra diversos graus de sofrimento, também de 1 a 10. Você também pode usar uma régua comum com 10 cm de comprimento.

Acostumei meus filhos a partilhar seus sentimentos mostrando a eles a régua quando estão aborrecidos, perguntando: “O quanto esse incidente foi doloroso?” No jantar, pergunto a cada um: “Fale-me sobre algo que deixou você feliz e algo que o deixou triste.” Eu dizia: “Minhas costas estão doendo 10, portanto preciso da sua ajuda.” (Eu tentava não ser falsa!) Ou então: “Estou exausta 9, mas vou me forçar a ajudar vocês.” Uma vez perguntei ao meu filho de três anos como ele se sentia a respeito do novo bebê. Ele olhou pensativamente para a régua e disse: “Estou feliz 10 por ter outro irmão, mas fiquei triste 10 quando você estava longe, no hospital.”

Carrego essas réguas na minha bolsa e frequentemente as uso com estranhos. Por exemplo, há alguns dias, quando entrei no consultório do meu médico, vi uma menina pequena que estava chorando e batendo nos pais para conseguir atenção. A mãe, altamente grávida, olhava para a parede e não reagia, enquanto o pai estava no espaço sideral com seu aparelho eletrônico. Para a criança, ambos os pais tinham desaparecido num buraco negro em algum lugar. Embora os corpos estivessem ali, eles eram tão desligados como manequins.

Peguei minha régua e perguntei para a menina se ela queria ver algo interessante. Ela me olhou hesitante, e apontei para um pequeno corte em minha mão. Mostrando a ela a régua, eu disse: “Esta régua mede o sofrimento. Veja, 10 é a dor maior, e precisamos chamar uma ambulância ou ir para o hospital.” Perguntei a ela a que número achava que o corte na minha mão chegava. Ela apontou para o 4. “Uau,” respondi, “você é tão inteligente. Soube exatamente como classificar!” (Embora para mim fosse apenas um 1, eu queria que ela se sentisse bem sobre sua resposta.) Então perguntei se ela tinha algum dodói. Ela apontou para o joelho, que tinha um grande arranhão. Perguntei o tamanho da dor quando aquilo aconteceu. Ela apontou para o número 6. Quando perguntei: “E agora, como está a dor?” Ela apontou para o 1.

Consegui a atenção da mãe e perguntei a idade da sua filha. Quando ela disse: “Três anos e meio,” elogiei sua filha: “Ela é tão inteligente para a idade. É capaz de classificar corretamente a dor dela e a minha! Impressionante para uma criança tão pequena!”

Então dei a régua à criança e disse a ela para perguntar à mãe. “Quanto você está cansada?” Com um rápido olhar, a mãe disse: “Dez!” A criança e eu simpatizamos com ela. Então eu lhe disse para perguntar ao pai o quanto estava cansado. Ele disse “Nove!” Falei com a menina por mais alguns minutos sobre várias coisas, boas e dolorosas. Ela ficou encantada por eu demonstrar interesse em seu mundo interior. Quando a secretária me chamou para ver o médico, entreguei a régua à mãe e disse que esperava que ela a usasse.

No dia seguinte, quando levei meus netos para comer uma pizza, ouvi um menino de quatro anos gritar quando prendeu a mão na porta do banheiro. Ele estava chorando quando a mãe lavou sua mão na pia. Quando pude ver que suas lágrimas estavam diminuindo, tirei minha régua, e perguntei a ele o quanto estava doendo, sendo dez a dor mais forte. Ele apontou para o 10. Reconheci a dor e disse como ele era um menino corajoso. Meia hora depois, quando ele estava terminando de comer sua pizza, fui até a mesa dele, tirei a régua e perguntei como estava a dor. Ele parecia contente e disse: “UM!” Espero que meus netos e a outra família se lembrem como as pessoas ficam felizes ao expressar seus sentimentos e se sentirem aceitas e importantes para os outros.

Da outra vez, eu estava esperando pela dentista, e notei três irmãs, com idades de quatro a sete, olhando rudemente para uma linda criança de cinco ou seis anos. Quanto mais elas olhavam, mais a sensível menina se mexia desconfortável na cadeira, tentando não chorar. Uma das três irmãs ficava olhando feio para a menina e então ria enquanto cochichava na orelha da irmã. Senti-me tão mal pela “vítima” desse bullying grosseiro. Aproximei-me dela enquanto a mãe falava com a secretária, e mostrei a ela a régua. Perguntei: “O quanto você se sente mal quando elas olham para você?” Ela disse logo: “Dez!” Assenti e disse. Está certo! Eu também não gosto quando as pessoas me olham desse jeito. Faz-me sentir que há algo de errado comigo. Tenho de lembrar a mim mesma que o que estão fazendo é rude, e que eu estou certa!” A mãe me olhou grata, e dei a régua para a menina, dizendo a ela para ajudar a mãe a entender seus sentimentos.

Nunca sei como os pais vão reagir às minhas intervenções. É preciso coragem para intervir quando não sei se ficarão bravos ou aliviados, mas faço minha parte e D'us cuida dos resultados! Usar a régua é uma maneira boa e poderosa de conectar-se com as pessoas. Esses momentos de conexão cimentam os relacionamentos: se os perdermos, podemos nunca desenvolver um senso de confiança ou carinho. Ninguém sabe 100 por cento como estamos nos sentindo num determinado momento, e se eles não ligam, somos deixados com um sentimento de solidão e desconectados. É por isso que as crianças tendem a ser mais ansiosas quando estamos ao telefone. Sugiro que se você precisa estar ao telefone quando uma criança quer sua atenção, diga a ela para apertar sua mão para você saber que ela tem algo a dizer, e aperte de volta para deixá-la saber que você não desapareceu!

Para introduzir a régua em sua casa, você pode fazer uma lista de eventos que podem fazer as pessoas se sentirem com medo, tristes, envergonhadas, contentes, orgulhosas ou corajosas. Leve a lista à mesa do Shabat. e pergunte aos membros da família, incluindo os pais, para classificar esses eventos. Por exemplo: ir ao dentista, lavar a louça, tirar o lixo, ir ao acampamento, viajar no ônibus escolar, ir à sinagoga, escovar os dentes, tomar banho, fazer lição de casa, praticar esportes etc.

Há um ditado famoso: “Se você pode dar um nome a isso, você pode vencê-lo.” Portanto, deixe que as pessoas expressem seus sentimentos com sinceridade. Obviamente, se a criança está lidando com um evento que muda a vida, como um divórcio, morte ou incapacidade física, você precisa dar mais tempo. Não julgue seus sentimentos, não trivialize seu sofrimento, não discuta nem dê conselhos sobre como eles “deveriam” se sentir. Cada pessoa tem a própria realidade emocional. Sempre valorize primeiro o sofrimento, Somente depois que ela sentir que foi ouvida você pode perguntar, por exemplo: “Você está em 10 na escala do sofrimento, posso fazer alguma coisa para ajudar a descer para 9, ou virar para o outro lado?”

Pesquisa mostra que o próprio ato de medir o sofrimento ajuda a reduzir o fluxo de sangue para o cérebro inferior, onde nossos impulsos mais primitivos e emoções caóticas estão localizados, e aumentar o fluxo sanguíneo para o córtex pré-frontal, nosso centro executivo, que nos ajdua a fazer escolhas lógicas e pensar em soluções e consequências.

Às vezes ajuda dizer à criança que nenhum sofrimento emocional dura mais que 90 segundos - a menos que você anexe um pensamento de perigo ao sentimento, tente isso você mesmo. Segundo Dr. Martin Seligman, a intensidade de qualquer emoção vai diminuir se você conseguir evitar pensar em três coisas:

Isso é abrangente. Toda a minha vida está arruinada! Minha personalidade inteira é horrível.

Isso é permanente. Vai durar para sempre! Não posso aguentar! É horrível!

Isso é pessoal. As pessoas veem a verdade sobre mim, sou realmente um fracasso.

Você pode diminuir a intensidade pensando:

Isso é limitado. Certo, não sou perfeito nessa área, cometo erros às vezes. Mas também tomo muitas decisões certas em outras áreas, e tenho forças que as pessoas nem sempre veem.

É temporário. Vou seguir em frente com minha vida. Não vai durar para sempre. Posso encarar.

É impessoal. As pessoas veem apenas um aspecto limitado da realidade. É apenas a opinião delas.

Você pode querer partilhar algumas dessas mensagens positivas quando a criança está preparada para ouvir - a menos que ela esteja tão feliz por ser ouvida que não precisa mais da sua atenção!

Por Dra. Miriam Adahan
Dra. Miriam Adahan é uma psicóloga, terapeuta, autora e fundadora do EMETT (“Emotional Maturity Established Through Torah”) - uma rede de grupos de auto-ajuda dedicados ao crescimento pessoal. Clique aqui para visitar seu website.
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Juliana Joinville 2 Fevereiro, 2015

Como sempre estes textos são ótimos.... Parabéns a todos por transmitir as palavras da Torá através de atos básicos do dia a dia. Vocês são ótimos! Shalom! Reply