“O Povo de Israel é convocado a contribuir com quinze materiais – ouro, prata e cobre; lã tingida de azul, violeta e vermelho; linho, pelo de cabra, peles de animais, madeira, azeite de oliva, especiarias e pedras preciosas – com as quais, diz D’us a Moisés, “Eles deverão fazer para Mim um Santuário, e Eu habitarei entre eles”.

No alto do Monte Sinai, Moisés recebe instruções detalhadas sobre como construir essa moradia para D’us de forma que ela pudesse ser rapidamente desmontada, transportada e remontada durante a viagem do povo pelo deserto.

Na câmara interna do Santuário, por trás de uma cortina tecida artisticamente, ficava a Arca contendo as Tábuas do Testemunho gravadas com os Dez Mandamentos; sobre a tampa da Arca, ficavam dois querubins alados modelados de ouro puro. Na câmara externa, ficavam a Menorá de sete braços e a Mesa sobre a qual os “pães da proposição” eram arrumados.

As três paredes do Santuário eram unidas por 48 placas verticais de madeira, cada uma das quais revestida de ouro e seguras por um par de encaixes de prata. O teto era formado por três camadas de cobertas: (a) tapetes de lã e linho multicoloridos; (b) uma coberta feita de pelo de cabra; (c) uma coberta de peles de carneiro e de tachash. De lado a lado da frente do Santuário ficava uma tela bordada, segura por cinco postes.

Cercando o Santuário e o Altar folheado de cobre que ficava à sua frente havia uma área cercada de cortinas de linho, suspensas por 60 postes de madeira com ganchos e adornos de prata e reforçados por estacas de cobre.


Na construção do Santuário foram utilizados três metais: ouro, prata e cobre. É de conhecimento geral que o ouro é o mais precioso dos metais. Por que, então, o Mishcan não foi construído inteiramente de ouro, mas também de prata e até mesmo de cobre, que são metais menos nobres?

Os metais simbolizam três tipos de judeus. Como D’us quis que todo o povo participasse da construção do Mishcan, ele foi edificado com os três metais juntos: ouro, prata e cobre.

A prata alude aos tsadikim (justos) do povo judeu, que sempre anseiam por D’us e sua Torá, pois a palavra prata, em hebraico – kessef – tem a mesma raiz da palavra ansiar, desejar – lichssof.

O ouro, mais precioso que a prata, alude aos baalê teshuvá (que retornaram), pois “nem os perfeitamente justos podem ficar em seu lugar”.

O cobre – nechôshet - refere-se aos judeus que erraram, cometendo pecados, indo nos passos da cobra – nachash – que provocou o primeiro pecado no Universo.

Todos os judeus participam da construção do Bet HaMicdash, não apenas os tsadikim. Por isso o Mishcan foi arquitetado com cobre, além da prata e do ouro, foi edificado pela comunidade – tsibur que é composta de justos – tsadikim -, pessoas medianas – beinonim – e perversos – reshaím. A letra inicial de cada uma dessas palavras: tsadikim, beinonim e reshaím formam juntas a palavra tsibur (comunidade).

O tsadik não deve falar: “Construirei sozinho o Santuário para D’us. Para que devo aproximar um perverso do cumprimento de Torá e mitsvot?”

O perverso, por sua vez, não deve dizer: “O que eu tenho a ver com as mitsvot da Torá? A Shechiná repousará também nas minhas ações?”

Todos juntos precisam construir o Santuário. Justamente através do cumprimento das mitsvot de todo o povo judeu – tsadikim e reshaím unidos – teremos o mérito de que se cumpra em nós: “e habitarei neles” – no interior de cada judeu.

Baseado em Likutê Sichot, Vol. VI, págs. 152-161.
(Maayan Chay, pág. 93)