Here's a great tip:
Digite seu endereço de e-mail e lhe enviaremos nossa revista semanal com conteúdo novo, interessante e reflexivo que irá enriquecer sua caixa de entrada e sua vida, semana após semana. E é gratuito.
Oh, and don't forget to like our facebook page too!
Entre em contato

Inspirada no Hospital

Inspirada no Hospital

 E-mail

Após terminar meu curso de flebotomia, fui colocada no Hospital Richford para duas semanas de prática clínica. Durante minha segunda semana, Ema, uma das flebotomistas, foi falar comigo e com minha supervisora, Stacey.
[Flebotomia = Procedimento invasivo que consiste na introdução de um cateter de silicone através de uma veia sob visão direta para passagem de líquidos, sangue e seus derivados, alimentação parenteral ou medicação.]

“Preciso que tirem sangue de alguns pacientes na pediatria. Poderiam ir me ajudar?” perguntou Ema.

Para extrair sangue na ala pediátrica é precisa ser especialmente treinado, e nem Stacey nem eu tínhamos aquele certificado. Eu nunca estivera naquele andar.

Mas vimos que teríamos de ajudar Ema, que era treinada, e subimos as escadas.

Quando terminamos com o primeiro paciente, Ema disse que tinha de ir a mais dois quartos naquele andar: Quarto 35 e Quarto 13. “A qual quarto você quer ir, Stacey? Nenhum deles é uma criança pequena, portanto você pode tirar sangue delas.”

“Tanto faz,” disse Stacey. “Não importa, acho que iremos ao Quarto 35.” Ema nos agradeceu, e seguimos pelo corredor.

Do lado de fora do quarto com nosso carrinho, eu comecei a imprimir as etiquetas para os tubos de sangue. Ao olhar as etiquetas que saíam da pequena impressora, gelei. Eu reconhecia este nome, Ahava. Conhecia esta menina da minha comunidade. Há algumas semanas eu tinha recebido seu nome hebraico completo, pedindo que rezasse pela sua saúde.

Pensando depressa, decidi não entrar no quarto. Não queria comprometer sua privacidade. Talvez ela não quisesse que ninguém soubesse que estava no hospital. Eu não disse nada a Stacey, mas esperei do lado de fora enquanto ela entrava para tirar o sangue.

“Isso é tão estranho,” pensei comigo mesma. “De todos os andares no hospital, de todos os quartos neste andar, fomos designadas para este quarto? Esta paciente?”

De pé ali ao lado da porta, espiei através da cortina para ver se estava certa. Ali estava ela, uma mocinha de 16 anos, parecendo pálida, fraca e abatida. Afastei-me rapidamente. Como podia ser? Meu coração ficou voltado para ela.

De repente ouvi Stacey me chamando lá de dentro do quarto. “Devorah, pode me trazer um transferidor?”

Fiquei chocada. O que poderia fazer? Não tinha escolha. Teria de entrar. Segurando o transferidor apertadamente na mão, lentamente entrei no quarto e puxei a cortina para o lado. Nossos olhos se encontraram, e o rosto de Ahava iluminou-se com o maior sorriso que eu jamais vira até então.

“Oh, como é bom ver você!” ela exclamou.

Passando o aparelho para Stacey, fui até o lado da cama, e começamos a conversar.

Antes de sair, prometi a ela que a visitaria, e que continuaria a rezar por ela.

No dia seguinte eu estava no supermercado casher quando ouvi alguém chamar meu nome.

“Devorah”, disse minha amiga, correndo na minha direção. “Você deveria saber como fez bem a ela.”

A princípio eu não sabia do que ela estava falando. Então entendi que ela era amiga de Ahava.

“Assim que você saiu ela me mandou um e-mail: ‘Você não acredita quem acaba de sair do meu quarto!’ Você realmente iluminou o dia dela, Devorah.”

Minha amiga contou-me que Ahava estaria no hospital durante Pêssach, e decidimos ir visitá-la no domingo, o segundo dia do feriado.

No dia seguinte, eu me vi aguardando ansiosa pela folga para o almoço. Em vez de passar a hora com minhas colegas, fui lá em cima para visitá-la, como tinha prometido. Demos juntas uma caminhada pelo corredor e encontramos um banco perto de uma janela grande.

Sentada à luz do sol, ela mencionou que estaria no hospital durante Pêssach.

“Oh,” disse eu, tentando dar a entender que não sabia disso. “Sim, e estamos preparando um Seder de Pêssach para o andar inteiro. O hospital nunca teve um seder antes, e todos estão empolgados. Enviei convites a todos os quartos. Todo mundo está convidado.”

“Uau, isso é ótimo!” disse eu.

Nesse instante o pai dela chegou. “Olá, querida,” disse ele. “Acabo de falar pelo telefone com Jerry Cohen, do Fornecimento Casher. Ele soube que você está no hospital, e que está planejando um Seder para o andar inteiro. Ele telefonou para dizer que pretende doar toda a comida para o Seder, e tudo que precisarmos durante Pêssach.”

O sorriso de alegria de Ahava espalhou-se pelo seu corpo inteiro. Sua felicidade era contagiosa, e todos nós sentimos nosso estado de espírito elevar-se.

Olhando para o relógio, vi que minha hora de almoço estava quase no fim. Despedi-me, e prometi que a visitaria novamente.

Conforme o combinado, no segundo dia de Pêssach minha amiga e eu fizemos a longa caminhada de uma hora até o hospital. Vimos um guarda de segurança na entrada e perguntamos a ele como poderíamos chegar lá em cima sem usar o elevador. Ele explicou que poderíamos ir pelas escadas somente até o quarto andar. Como há crianças no quinto andar, a porta é mantida trancada. Estávamos num impasse. Mas não iríamos desistir. Explicamos que tínhamos ido visitar uma amiga, e que caminhamos uma hora apenas para chegar até ali.

“Vocês são judias, certo? Ortodoxas, eu sei.” Disse ele. “Esperem, deixem-me fazer um telefonema rápido.”

Minha amiga e eu trocamos sorrisos quando ele pegou o fone e começou a discar. “Tudo bem, meninas,” disse ele, desligando. “Venham comigo. Vou levar vocês lá para cima e destrancar as portas.”

“Obrigado, Hashem,” murmuramos.

“Na verdade, meu nome é John, mas vocês são bem-vindas,” disse ele. “Vocês judeus são impressionantes. Não posso acreditar que caminharam tudo isso.”

Quando vimos o rosto dela radiante, soubemos que a caminhada tinha valido a pena.

“Conte-nos sobre o Seder!” dissemos em uníssono. Sentamo-nos e ela começou a relatar as partes mais importantes. Os pacientes se sentaram juntos, cantaram, contaram histórias e partilharam uma deliciosa refeição. Todos tiveram uma ocasião maravilhosa.

Estar no hospital pode ser solitário e deprimente, mas essa garota de 16 anos aproveitou a oportunidade para levar luz e alegria a outros. Nunca sabemos por que somos colocados em determinadas situações. Eu não sei por que D'us quis que eu visse Ahava no hospital. Mas sei que fiquei comovida e inspirada pela sua coragem e otimismo. Estou realmente grata por ter tido essa oportunidade de aprender com ela.

Alguns dias depois de Pêssach, soubemos seu diagnóstico. Uma adolescente que já fora livre de preocupações está lentamente perdendo a visão e a mobilidade. Estremeço quando penso nela. Não posso sequer imaginar o que ela está passando. É com nossas preces que podemos fazer uma diferença.

Por Devora Levin
© Direitos Autorais, todos os direitos reservados. Se você gostou desse artigo, encorajamos você a distribuí-lo, desde que concorde com a política de copyright de Chabad.org.
 E-mail