Here's a great tip:
Digite seu endereço de e-mail e lhe enviaremos nossa revista semanal com conteúdo novo, interessante e reflexivo que irá enriquecer sua caixa de entrada e sua vida, semana após semana. E é gratuito.
Oh, and don't forget to like our facebook page too!
Entre em contato

Educando uma Criança com TDAH

Educando uma Criança com TDAH

(Deficit de Atenção e Hiperatividade)

 E-mail

A maioria das crianças se entusiasmam pela escola. Mas para a minha filha de oito anos, a escola representa sérios desafios. As probabilidades são colocadas pesadamente contra ela. Eu posso ver e sentir sua apreensão enquanto ela verifica seu material uma última vez. Ela sobe ao meu colo precisando de um apoio extra. Ao me abraçar, acaricio seu cabelo recém-lavado, e suavemente falo uma vez mais o quanto eu a amo Que ela vai conseguir e que será bem sucedida. Em sua forma única e original.

Em sua testa há um rótulo invisível onde se lê: “TDAH" Esta palavra entrou na minha vida e se tornou parte do meu vocabulário há nove meses, em um consultório médico. Olhando para trás, percebo que com a idade de dois anos tornou-se evidente que ela era mais ativa e mais difícil de controlar do que a média das crianças. No entanto, não me ocorreu naquele momento que algo estava realmente errado. Achava que estava lidando com um tipo de personalidade.

Lembro-me que eu estava ocupada com ela a partir do momento em que ela acordava até a hora em que ia dormir e fechava os olhos. A fim de lidar com a sua hiperatividade e sua capacidade de destruir a casa (literalmente), eu praticamente me mudei para o parque, que felizmente, ficava ao virar a esquina do meu apartamento. Acho que eu poderia ter vencido o Guinness em "a mãe que fica mais tempo no parque"! Eu sentei lá por praticamente sete anos! Com chuva ou sol, lá estávamos nós.

No inverno, eu aquecia nós duas com camadas de roupas. Na chuva, usávamos botas de borracha e capas de chuva plásticas. No verão, passávamos protetor solar! Eu estava bem equipada. Eu embrulhava o jantar para dois e levava ao parque. A mesa do parque não tinha uma toalha que ela poderia tirar fora! O parque não possuia paredes para escalar, armários para desmontar, ou camas para saltar. Tinha gangorras, escorregadores, barras e balanços além de muita grama para correr. Exatamente o que ela precisava! E foi assim que consegui administrar. Sou uma pessoa do tipo orientada a soluções; então para mim esta foi a solução.

Infelizmente, isto não solucionou os problemas acadêmicos e questões sociais e emocionais de minha filha que vieram à tona, ao longo do tempo. Nossas finanças também sofreram, como os meus planos para "voltar ao trabalho depois que o bebê se torna-se grande o suficiente" nunca se concretizaram. Ela era sinônimo de trabalho em tempo integral. O que nos restou foi ter que administrar o modesto salário do meu marido.

Um dia, no meio de seu ano letivo da primeira série, recebi um telefonema de sua escola informando-me que uma reunião havia sido programada e eu deveria estar lá. No fundo, eu sabia que a hora de enfrentar os obstáculos havia chegado. Então lá estava eu em uma cadeira dobrável de metal (meu marido sentiu-se incapaz de deixar o trabalho para comparecer), olhando através de uma mesa para o diretor da escola, seu assistente e professores! Embora tivessem sido muito educados e estivessem realmente preocupados com o bem-estar da minha filha, me senti como uma ovelha enfrentando lobos. Não morderam minha cabeça como eu esperava, mas declararam que minha filha estava ficando para trás em seus estudos, tanto em Inglês quanto Hebraico, e que perturbava muito as aulas. Continuaram dando mais detalhes como o fato de ela levantar-se-se a hora que queria no meio da aula, não obedecia regras nem instruções, respondia questões sem ser chamada… Como se isso não bastasse, me informaram que ela era socialmente um "desastre". Eles me instruiram a levá-la a um psiquiatra, para avaliá-la e receber tratamento necessário.

Não perdi tempo em resolver este assunto o quenato antes. Fiz muitos telefonemas e uma extensa pesquisa tentando encontrar o psiquiatra mais competente. Quando minha filha foi finalmente diagnosticada, senti uma mistura de emoções. Fiquei aliviada ao saber que uma situação até então incompreensível, ao menos estava agora fazendo algum sentido. Também senti que um problema que possui uma classificação, também pode ter uma solução. No entanto, ao mesmo tempo, senti-me esmagada e isolada. Eu estava preocupada que o diagnóstico se tornaria um rótulo usado para julgar e condenar minha filha. Eu me questionava como ela conseguiria lidar com a escola e o mundo lá fora.

Não tive qualquer apoio do meu marido, que negava tudo e continuava a insistir que TDAH não é uma desordem real. "O que ela precisa", insistia ele, "é uma mão de ferro!" Ele, como ocorre com muitos pais, tinha dificuldade em admitir o fato de que sua filha não era como todo mundo.

Tendo uma aversão permanente ao uso de qualquer tipo de medicamento, para mim aceitar o fato de que minha filha pudesse precisar de estimulantes, a fim de capacitá-la a funcionar na escola não foi nada fácil. (aliás, tenho certeza que muitos de vocês estão se perguntando por que uma criança hiperativa precisa de estimulantes. Minha filha e suas colegas de TDAH parecem ser orgulhosas proprietárias de cérebros subdesenvolvidos que têm falta de atenção. Ritalina atinge essa parte do cérebro e ajuda a melhorar a concentração e foco.) Após exaustiva pesquisa cedi a cumprir as recomendações médicas e ela começou a tomar uma dose bem baixa. Embora no início ela tenha tido alguns efeitos colaterais, como dificuldade para adormecer e uma diminuição do apetite, com o tempo esses sintomas diminuíram consideravelmente, e devo confessar que a medicação fez uma enorme diferença em nossas vidas.

As coisas pareciam resolvidas e terem entrado em uma rotina. Surpreendentemente, esta semi-pausa me deu tempo de parar e pensar (um luxo que eu não tinha há muito tempo), e percebi que por trás de meu alívio havia um forte sentimento de perda e decepção. Inconscientemente, eu tinha imaginado uma criança que, como eu, seria uma estudante destacada e popular entre as colegas.

Uma onda de raiva e auto piedade tomou conta de mim. Por que justo eu havia sido eleita para enfrentar este problema? Por que minha filha, tão inocente precisa lutar com esta deficiência? Por que meu marido não poderia ser mais solidário? Por que as pessoas de fora não eram mais compassivas e compreensivas com minha filha?

Estas questões permaneciam em minha mente ao longo dos dias. Uma noite, depois de um dia cansativo como sempre, afundei no sofá, recostei minha cabeça e fechei os olhos. Alguns segundos depois (é assim que me pareceu, mas poderia ter sido mais), abri meus olhos, pronta para terminar as tarefas da noite, quando vi minha filha em pé, parada ao meu lado. Estava mais do que um pouco surpresa, pois não conseguia lembrar de tê-la visto assim desta forma, ao meu lado em pé. Ela olhou para mim com um ar sério como um adulto, e perguntou: "Mamãe, você me ama?" Fiquei parada sentindo um aperto forte na garganta. Estendi minha mão e puxei-a para meu colo abraçando-a bem forte: “Claro que sim!” E sussurrei. "Eu te amo muito!"

Depois que ela tinha adormecido e eu estava lavando os pratos na cozinha, pensei sobre o que tinha recém acontecido. Eu estava cuidando das tarefas, de tudo o que precisava ser feito, mas não estava cuidando de mim mesma. Eu não estava estava me alimentando fisicamente, emocionalmente e espiritualmente, e foi isto que resultou em meus ressentimentos. Minha filha percebeu isto. Comecei a prestar atenção aos meus hábitos alimentares, cortando alimentos nocivos, incluindo alimentos ricos em vitaminas e suplementos adicionais a minha dieta. Entrei para um grupo de danças e adicionei uma série de "vitaminas e exercícios espirituais", que gostaria de compartilhar com vocês.

A primeira, é claro, é a vitamina A-Aceitação. Aprendi a aceitar minha vida como ela é.

A segunda é a vitamina E- Evidência. Evidencio que nada na vida acontece por acaso. Tudo é parte de um plano mestre orquestrado por um D’us amoroso, e ambos nossos dons e nossas lutas são feitos sob medida para nos guiar em direção ao crescimento e desenvolvimento espiritual.

A vitamina C é a Coragem. Eu tenho a coragem de seguir em frente apesar das incertezas e medos.

A vitamina D está para Determinação. Estou determinada a superar as minhas fraquezas e focar em D’us ao invés de em mim mesma.

Vitamina F? Você adivinhou- . Reafirmo diariamente que D’us nos acompanha e nos apoia em cada passo do caminho.

Vitamina G é a Gratidão. Quando eu procurar com vontade as coisas pelas quais devo agradecer, ficarei surpresa. Em todas as direções que olho vejo bênçãos. Às vezes observo minha filha comportando-se bem e tornando-se maleável. Eu comecei a dizer "obrigado" a D’us pelo milagre da vida. Comecei a sorrir.

Vitamina H –Humor. Estou começando a reagir com alegria ao invés de frustração. Estou começando a me iluminar. Há tanta coisa para se rir.

E por último, mas não menos importante, é a vitamina P – Prece, que tanto quanto eu saiba, é muito mais eficaz do que Prozac. Ao recitar o Salmo 121, "Levanto meus olhos para o céu, de onde virá a minha ajuda?" Minhas perguntas se dissolvem. "O meu socorro virá do Altíssimo! Aquele que criou o céu ea terra. "

Sentamos juntas na varanda da frente e examinamos o conteúdo de sua mochila, para termos certeza de que nada está faltando. O ônibus escolar amarelo chega e abre a porta. Minha filha corre em sua direção, os cabelos loiros ondulados voando sobre seu rosto em desordem. Ela olha para mim e, nesse segundo, o olhar em seus olhos me diz o que está em seu coração e mente. Ela sabe que de mim sempre receberá amor incondicional. Enquanto ela sobe as escadas do ônibus, sei que ela terá as habilidades necessárias para marchar ao longo do dia. Se houver algo que ela não conseguirá controlar, ela irá informar-me e receber a validação e apoio. Nem sempre posso resgatá-la. Nem sempre poderei resolver seus problemas. Mas posso oferecer um bom ouvido e, quando ela estiver pronta, discutir formas de como ela poderá lidar com a questão. Em situações intensas poderei intervir e lutar por ela. Eu sou sua assistente social, e ela é minha única cliente.

O ônibus escolar parte barulhento pela rua, e minha vizinha do andar de cima desce para me entregar seu bebê de dois meses e uma sacola repleta de suprimentos. Ela está muito feliz em poder sair de casa por algumas horas, e me considera a babá ideal. Minha vizinha se apressa para ir trabalhar na loja de doces de seu tio, onde ela irá decorar cestas e encontrar pessoas. Ela sente-se mais do que feliz em dividir o seu salário comigo, o que lhe rende um dinheirinho e para mim uma renda extra necessária para fechar o mês. Eu mantenho o bebezinho de minha vizinha em meus braços e ele sorri para mim. Depois que eu alimentá-lo e trocá-lo me fará companhia enquanto executo o trabalho doméstico. Seu comportamento plácido nunca deixa de me surpreender. No momento em que minha filha chega da escola, eu vou estar pronta para levá-la ao parque, onde vamos saborear o jantar e fazer algum trabalho de casa.

Minha vida não acabou como retratado ou planejado, e isso está ok para mim. Em vez de uma princesa mimada, estou me tornando uma heroína corajosa. Minha filha olha para mim e seus olhos transmitem confiança e admiração. Nossa jornada está longe de terminar, mas juntas estamos aprendendo a desfrutar do passeio.

Por Anônimo
© Direitos Autorais, todos os direitos reservados. Se você gostou desse artigo, encorajamos você a distribuí-lo, desde que concorde com a política de copyright de Chabad.org.
 E-mail
Participe da discussão
1000 Caracteres restantes
Envie-me e-mail quando novos comentários forem postados.
Ordenar por:
Discussão (97)
14 Fevereiro, 2017
Eu me identifiquei bastante com o seu texto. Meu filho tem 3 anos e foi a escola que me orientou a procurar uma psicopedagoga, pois ele não parava na sala de aula, não seguia as regras, não queria fazer as atividades e dispensava os amigos. Ele ficou agressivo do meio do ano em diante. Fui na psiquiatra infantil e passou alguns exames e o Nootron para ele focar e se concentrar na escola. Graça a D'us meu esposo está junto cmg nessa luta e tenho certeza que meu filho será muito feliz.
Ellen
RJ
11 Fevereiro, 2017
Meu filho tem TDAH
Estou me vendo em várias histórias aqui.
O meu filho amável, brinca , não faz birra, super amoroso, foi difícil entender, só o exame comprovou. Mas hoje ele já tem 7 anos e estou fazendo todo o acompanhamento necessário.
Obrigada e quero fazer parte deste grupo.
Ana
Manaus
6 Dezembro, 2016
TDAH.
Muito emocionante sua mensagem. Tenho um filho de 11 anos com TDAH. Teve seu diagnóstico aos 7 anos. Já foi acompanhado por psiquiatras, fono, terapeuta ocupacional e psicopedagoga. Não se deu muito bem com Ritalina, seu efeito era muito rápido, de todas as dosagens, agora está tomando Concerta 18mg,remédio de custo (310,00),porém a criança pode ser cadastrado diretamente no laboratório, no valor (196,00) e a melhora é surpreendente, desde que seja usado corretamente. Sua narrativa é muito importante para conscientizar as pessoas, não somente pais, mas a todos.
Meu filho é um pré adolescente inteligente, sensível e mesmo enfrentando a intolerância com as próprias dificuldades, é compreensivo com as dificuldades das pessoas.
E como apoio quero agradecer a escola dele, Diretores, professores e a todos funcionários, pelo apoio e compreensão.
Eliete Adriana Ribeiro Nogueira
3 Dezembro, 2016
défice de atençao preciso de ajuda
Oi minha amada estou passando por situação semelhante e me sinto perdida em algumas situações não sei o que fazer e seu depoimento me fortaleceu. Muito obrigada, espero poder contar com pessoas como você para compartilhar e até mesmo me ajudar quando me sentir perdida. Obrigada D'us abençoe .
Tatiane
Salvador
10 Novembro, 2016
Meu filho tem TDAH e TOD, não se deu muito bem com ritalina, de todas as dosagens, agora está tomando Venvanse 550mg, e amelhora foi surpreendente, mas mesmo assim como toda criança, faz birra querendo usar computador todos os dias para jogos e não se interessa por mais nada, me irrita tanto é ter que fazer discurso todos os dias para escovar os dentes, tomar banho direito, detesta cortar cabelo, guardar as coisas, ele fará nove anos em dezembro, mas a pior parte é que meu marido, que não é pai dele e convivemos há dois anos, não sabe dar carinho, mas foi do exército, e teve uma infância muito cobrada pelos pais, passa até a sensação de que não foi feliz, porém para ele , acha que foi muito bem criado , os pais já morreram e acho que é por isso que ele pensa desta forma, mas a verdade é que ele não sabe dar carinho ao meu filho, e cobra disciplina como se desconhecesse o fato das síndromes do meu filho. Já pensei até em separação por medo do meu filho crescer com carência afetiva.
Anônimo
Rio Piracicaba
7 Novembro, 2016
Tenho um filho de 06 anos diagnosticado com TDAH e desconfio que tenha também TOD, é acompanhado por dois psiquiatras, fono , terapeuta ocupacional e psicopedagoga, além disso faz natação e futsal. Trabalho pela manhã(horário em que ele está na escola), e as tardes sou sua "chofer"é uma rotina puxada. Até os 4 anos nós só o viamos como uma criança inteligente e levada, então foi quando minha irmã faleceu com câncer de mama (ele era muito apegado a ela), comecei a perceber que algo mudou nele, ficou agressivo, mas, não o vejo como perverso. Por outro lado eu passei a reagir as suas ansiedades e impulsividade com rigor e quando o diálogo não funciona até bato nele. Porque sou humana e tenho o meu limite, depois fico muito mal me sentindo culpada, porque não gosto de fazer isso. Mas é só através da ameaça que ele responde a meus comandos. Ele foi um filho desejado e planejado, quis ser mãe e não estou conseguindo ser uma boa mãe. Gostaria que tivesse uma receita de como educá-lo.
Anônimo
Recife/PE
28 Outubro, 2016
Lendo sua mensagem, estou vendo minha vida nos últimos anos. Passo pelo mesmo problema. Meu filho de 7 anos também tem TDAH, estamos passando pelo mesmo problema, ele está medicado e melhorou 90% na escola. Sessões com a psicóloga também ajudam bastante. A situação é muito difícil e incompreendida por muitos, principalmente pelo pai que é seu herói, e acha que ele não faz as coisas por que não quer, por preguiça ou desobediência, e não por não conseguir fazer. Se tiver mais relatos que possa passar compartilhe.
Eliana
Americana, SP
7 Setembro, 2016
Olá, meu filho vai fazer 6 anos e também foi diagnosticado com tdah, isso pra mim está sendo um pouco difícil, pois não estou sabendo lidar com isso, ele as vezes fica um pouco agressivo, na verdade não estou sabendo lidar com essa situação, meu ex- marido não faz questão alguma de participar da vida do nosso filho, e me diz que isso seria frescura da nossa parte, mesmo o meu filho tendo diagnóstico, estou um pouco sem chão, sem saber mesmo lidar com isso!
Anônimo
Manaus
4 Setembro, 2016
Eu simplesmente estou aos prantos lendo seu texto.Nunca li nada tão significativo sobre esse assunto. Tenho uma filha de 4 anos e por mais que ainda não tenha idade talvez pra ser diagnosticada, eu como mãe já fiz esse diagnostico. E pra mim umas das coisas mais dolorosas é o apontar do dedo dos outros como se disesse o tempo inteiro: sua filha não tem educação, é muito mal criada, eduque-a. Não sabendo nenhum deles o quanto não é simples assim. Quase sempre tenho me sentindo no limite, sem saber onde encontrar solução, respostas Mas ler esse texto deu uma clareza na minha mente. Parabéns pela iniciativa e acredito que estou precisando encontrar um parque.
Ellen
20 Agosto, 2016
Um grande exemplo de superação! uma verdadeira mae que ama de verdade...
Anônimo