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Como o Átomo Encontrou Sua Alma

Como o Átomo Encontrou Sua Alma

Por Arnie Gotfryd

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Era um sonho de infância que se tornava realidade. Eu sempre quis ser um cientista, e aqui estava eu, aprendendo a fazer exatamente isto num laboratório de química orgânica numa universidade, usando nada menos que um avental branco, medindo miligramas de cristais, milímetros de solventes, misturando e cozinhando, assistindo e esperando as reações mágicas, registrando os resultados que mais uma vez validariam a teoria do átomo.

A química é sobre moléculas, e as moléculas são feitas de átomos. Se você entendesse como os átomos se conectam uns aos outros, você poderia entender tudo, porque essa era a realidade trazida aos seus componentes mais básicos.

Ou assim eu pensava.

No meio dessa sessão de laboratório, enquanto literalmente centenas de estudantes como eu, ainda não graduados, estavam correndo contra o relógio, acompanhando receitas bombásticas para manufaturar moléculas grandes e complicadas a partir das partes mais simples, fui chamado de lado por um dos diversos supervisores, um estudante doutorando em química que queria conversar.

“Agora não,” descartei-o quase rudemente. “Tenho de terminar esse experimento e ainda há muito a fazer.”
“Não se preocupe a esse respeito,” disse ele. “Isso é importante.” “Mas e quanto aos resultados?”
“Quem você pensa que está marcando você, por falar nisso? Não sabe quais resultados você deve conseguir com esse experimento?”
“Claro que sei. Porém teoria é uma coisa, a prática é outra.”
“Na verdade, é aí que quero chegar. Que nota você quer conseguir – um A? Vou dá-lo a você. Apenas venha até aqui com esses outros caras e escute o que tenho a dizer.”

Toda pessoa é obrigada a dizer: “Bishvili nivra há’olam” – “Por minha causa, o universo foi criado.”

Aquilo tudo me parecia bem estranho mas, veja só, se ele estava disposto a me dar um A de qualquer maneira, por que não? Um grupo com cerca de seis alunos ficou em silêncio em volta do estudante enquanto nossos colegas se ocupavam com as tarefas à mão.

“Basicamente quero apenas que vocês saibam que os átomos não são reais.”
“O que isso quer dizer?”
“A teoria atômica, bem, afinal, não passa de uma teoria. Não sabemos o que realmente está se passando no nível submicroscópico. Ocorre que quando você presume que a teoria é verdadeira, as observações são previsíveis, mas poderia haver outras teorias sobre a matéria que também explicam essas observações.

“Além disso, grande parte da teoria atômica não faz qualquer sentido. Quanto mais você a estuda, mais estranha ela fica. Na verdade não explica nada. Pode apenas descrever nossas observações com modelos matemáticos. Mas por que aqueles modelos matemáticos deveriam funcionar? Ninguém realmente sabe.”

Francamente, na hora pensei que ele estivesse louco – quem sabe, talvez estivesse. Porém estou pensando sobre ele hoje enquanto enrolo o Rolo de Torá de volta ao início e à criação do homem, o primeiro homem, Adam.

Segundo os sábios, a criação do homem foi diferente daquela de qualquer outra forma de vida. Todas as plantas e animas foram criados por espécies, em grandes números, ao passo que o homem foi criado no singular. Até sua parceira foi criada separadamente um pouco depois. Mas por que foi assim? Qual era o propósito dessa atenção especial ao ser humano?

Isso, dizem nossos sábios, é para enfatizar a imensurável importância individual de cada ser humano – homem, mulher ou criança. De fato, toda pessoa é obrigada a dizer: “Bishvili nivra há’olam” – “Por minha causa, o universo foi criado.”

Se eu sou tão importante, o que tudo o mais está fazendo aqui?

Para o judeu ortodoxo, isso pode parecer como apenas outra pérola de sabedoria vinda do tesouro da Torá. Mas para alguém como eu, que foi doutrinado nas ciências, é como uma bomba, e por dois motivos: primeiro, pula na face da noção popular de que tudo evoluiu no decorrer de bilhões de anos através de eventos aleatórios. É claro que não há prova disto, e na verdade há bons motivos para se duvidar, mas é parte de nosso legado secular, remanescente da opinião materialista do Século Dezenove. Segundo esta crença, todo significado é imaginário e a “verdade” é que a vida não passa de um soluço sem sentido no grande esquema cosmológico das coisas, e qualquer outra crença é um mito sem substância. Mais um ponto contra “Por minha causa o mundo foi criado”.

O segundo motivo para o cientista secular ficar surpreeendido com essa declaração é a pura enormidade do universo. Toda a humanidade habita uma fina biosfera num minúsculo planeta numa pequena galáxia numa pequena família de galáxias flutuando na inimaginável vastidão do espaço. Se eu sou tão importante, o que tudo o mais está fazendo aqui?

Ironicamente, é o próprio modelo racionalista e materialista das coisas que levaram ao seu próprio desfavor. Como os cientistas tentam explicar os fenômenos? Por análise, ou seja, separando-os. Pegue um sistema, desmembre-o, examine as partes, desmembre-as em partes menores até finalmente você chegar aos átomos e suas partes componentes, os quanta.

De acordo com essa abordagem, se entendermos os blocos de construção do quantum, entenderemos a natureza como um todo. Porém esses quanta não se comportam como blocos de construção normais. Por um lado, a esmagadora maioria de cada átomo é espaço vazio. A coisa não é realmente coisa – são campos de energia. E os elétrons que ocupam a maior parte do volume do átomo são entidades misteriosas que fazem incontáveis coisas estranhas como pular de nível em nível sem passar pelo espaço intermediário.

Talvez a propriedade mais surpreendente do quantum seja que não pode ser considerado objetivamente real até ser observado. Parece que a maneira pela qual você olha para ele determina o que é. Se você escolher observá-lo como uma onda, ele é e sempre será uma onda. Se você preferir olhar como uma partícula, é e sempre será uma partícula. Não importa que algo não possa ser tanto onda como partícula ao mesmo tempo. Por exemplo, uma onda pode passar por dois buracos ao mesmo tempo, ao passo que uma partícula pode passar somente por um. De repente, não parece mais tão absurdo dizer “por minha causa o mundo foi criado”.

Os físicos se referem a esta mistura de sujeito-objeto como observadores, e como tudo é feito a partir destes quanta, a nova física de alguma forma coloca o homem de volta no meio da realidade física.

Talvez um exemplo mais radical disso seja a não-localidade. Desde 1982, experimentos têm sido replicados ao mundo mostrando que nossa opção de como observar a realidade em um local define como ela se desdobra também em outros locais. Por exemplo, se você arremessar pequenas partículas alfa (núcleos de hélio) num bloco de cálcio da maneira certa, terá pares de fótons que voam em direções opostas. Ocorre que você pode escolher qual das duas propriedades opostas um dos pares tem, e por mais estranho que pareça, tendo feito isso, seu gêmeo distante irá necessariamente mostrar a propriedade oposta.

Por exemplo, observar o primeiro fóton como forças “girando para cima”, o outro ficará “girando para baixo”, mas você poderia igualmente ter escolhido o primeiro fóton como “girando para baixo”, o que teria forçado o segundo a “girar para cima”. O surpreendente disto é que o efeito é não-local, o que significa que a observação impacta instantaneamente o aqui e agora, bem como objetos remotos e tempos anteriores. E como se acredita que todos os quanta do universo estão conectados, ou “ligados”, como os físicos dizem, cada observação impacta o mundo como um todo.

A esmagadora maioria de cada átomo é espaço vazio. A coisa não é realmente coisa – são campos de energia

Passo a passo, “por minha causa, o mundo foi criado” está soando mais e mais plausível.

O detalhe é que os mesmos físicos que costumavam nos ensinar que os seres humanos são irrelevantes, ajuntamentos aleatórios de poeira reciclada, agora estão nos dizendo exatamente o oposto: que todo e cada um de nós tem o poder de determinar a realidade física e até a história do universo como um todo, até voltar às suas origens. E tudo isso apenas exercitando as faculdades humanas.

Ao explorar o átomo, revelamos percepções dentro de Adam, e o papel singular e central da humanidade em como o universo se desdobra. Essa nova/velha visão da vida tem implicações existenciais enormes e assustadoras, e a pessoa poderia facilmente ser sobrepujada.

Como antídoto, tente a seguinte anedota, contada por Monty Charness ao meu filho por ocasião do seu bar mitsvá. Um homem deu ao filho o mapa mundi, mas o mapa estava rasgado em muitos pedaços. O pai disse que cabia ao menino colocar o mundo de volta no lugar, mas não seria fácil. Em apenas alguns minutos, o menino voltou com o mapa perfeitamente montado.

“Como fez isso tão depressa? É especialista em geografia universal?”

“De modo algum! Eu vi que do outro lado havia a foto de um menino, Eu sabia que se conseguisse montar o menino, o mundo ficaria certo, e foi o que eu fiz.”

Não vamos nos deixar assustar pelo destino do mundo grande e complicado que está em nossas mãos. Em vez disso, vamos nos concentrar em restaurar nossa própria imagem, como um judeu feliz buscando bondade e gentileza, e então o outro lado do desenho se ajustará no lugar, um mundo tão pronto como nós somos… para Mashiach, agora.

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