Esther é a heroína da história de Purim, na qual os judeus que viviam no Império Persa foram salvos do plano maligno de Haman para aniquilá-los. A saga dramática foi escrita para que o povo judeu pudesse ler sobre os incriveis acontecimentos todos os anos na Festa de Purim, data que marca a vitória dos judeus sobre seus inimigos.

A Meguilá de Esther (meguilá significa “rolo” em hebraico) é uma das cinco meguilot que estão incluídas no cânon bíblico. Estes livros são relativamente curtos e fazem parte de Ketuvim (a parte dos escritos da posteriores ao Pentateuco e Profetas). Elas são: Cântico dos Cânticos (Shir HaShirim), Ruth, Lamentações (Eicha), Eclesiastes Cohelet) e Esther.Dessas a Meguilá Esther é a única a ser lida a partir de um pergaminho manuscrito.

O que há nele?

O livro de Esther está escrito em hebraico. No entanto, uma vez que foi escrito por judeus que haviam sido exilados na Pérsia e tiveram que tratar com os processos judiciais da corte persa, é natural que fossem usados termos daquele vernáculo. Algumas dessas palavras são difíceis de pronunciar como "achashdarpanim", que significa "satraps" (ou "governadores"), e dat, que significa "lei", e está relacionado à palavra "dados".

O livro está dividido em 10 capítulos. Aqui está um breve resumo de seus conteúdos:

Capítulo 1: O rei Achashverosh da Pérsia realiza duas festas gigantes, e ele tem sua esposa, Vashti, executada.

Capítulo 2: A busca de uma nova rainha resulta em Esther (prima do sábio da Torá Mordechai) sendo levada ao palácio, mas não compartilhando sua identidade judaica. Juntos, eles salvam o rei de dois conselheiros do palácio.

Capítulo 3: Haman, o perverso conselheiro, convence o rei a executar todos os judeus em seu em um dia: 13 de Adar.

Capítulo 4: Mordechai previne Esther para interceder diante do rei.

Capítulo 5: Esther convida o rei e Haman para uma festa privada, na qual ela convida ambos para uma segunda festa. Haman decide erguer uma forca para pendurar Mordechai, que se recusa a curvar-se para ele.

Capítulo 6: O rei não consegue dormir e naquela noite é lembrado que ele nunca recompensou Mordechai por ter salvado a sua vida. Ele pede para Haman para vestir do rei em Mordechai, montá-lo no cavalo real e conduzí-lo pelas ruas da cidade.

Capítulo 7: No segundo banquete festivo, Esther fala ao rei que Haman deseja exterminar o seu povo. Enfurecido, o rei manda enforcar Haman na forca que ele havia preparado para Mordechai.

Capítulo 8: Ordens são emitidas em nome do rei, autorizando os judeus a se defenderem e a matar aqueles que desejam exterminá-los.

Capítulo 9: Os judeus se defendem em Adar 13 e descansam em Adar 14. Na capital de Shushan, é necessário um dia extra, e o resto está atrasado para Adar 15. Esther tem os eventos registrados e os pergaminhos são enviados para judeus por toda parte. (No ponto da história que descreve como os 10 filhos de Haman foram mortos e enforcados, as palavras na meguilá são escritas em uma coluna, usando um formato visto em apenas alguns lugares na escritura).

Capítulo 10: Os acontecimentos estão incluídos nos registros da Persia e Mordechai torna-se um vice-rei muito popular.

O que Fazemos com Isso?

De acordo com as instruções de Mordechai, a Meguilá é lida duas vezes em Purim: uma vez na noite de Purim e novamente na manhã do dia seguinte. A leitura da Meguilá é precedida e seguida de bênçãos especiais.

É uma mitsvá ouvir toda a leitura da Meguilá em silêncio. Assim, é muito importante as pessoas permanecerem em absoluto silêncio durante a leitura, permitindo que todos ouçam cada palavra com clareza. É costume acompanhar cada palavra com o ledor. Para aqueles que não conseguem chegar à sinagoga, a Meguilá pode ser lida em casa, desde que seja lida de um pergaminho autêntico por alguém familiarizado com a pronúncia exata das palavras hebraicas, muitas das quais são incomuns e são pronunciadas de forma diferente do que sua escrita.

Clique aqui para aprender a pronúncia e o tom, mas esse recurso somente serve como exemplo interativo. A mitsvá de escutar a leitura da Meguilá em Purim somente é válida ao vivo, e não de uma gravação. Leitura

Além de escutar a leitura da Meguilá duas vezes, há outras três mitsvot que devemos cumprir em Purim:

  1. Enviar mishloach manot (presentes de comida), pelo menos duas porções de comida para uma pessoa.
  2. Distribuir matanot la'evyonim (presentes aos pobres) a pelo menos dois judeus necessitados.
  3. Participar de uma refeição festiva.

Pensamentos Finais

A Meguilá está entre os únicos livros na escritura para não mencionam o nome de D’us, deixando-O oculto. Você pode se perguntar a razão disso. Em certo sentido, essa omissão em si é o que torna a história da Meguilá única. Escondida sob o drama da intriga e da política do palácio, a mão Divina, embora sem ser mencionada, é evidente. Desde o início, D’us fez com que as circunstâncias levassem os judeus a se arrependerem e elevarem suas preces para que fossem salvos.

Na nossa realidade pós-bíblica, muitas vezes estamos na situação dos judeus na época da história de Purim. Não vemos as águas do mar se partindo, nem ouvidos D’us falando no Har Sinai. Mas ao olharmos apenas um pouco mais a fundo, podemos vê-lo nos guiando e sustentando-nos.

Feliz Purim!